sexta-feira, 30 de agosto de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Se é legal tá tudo bem?
Ministro da Fazenda
falou e reafirmou: governo não considera novas desonerações em tributos e
contribuições federais.
O argumento é que as
desonerações já realizadas não deixariam mais espaço para novas reduções e/ou
isenções de impostos. Governo estaria no limite daquilo que poderia renunciar
em termos de arrecadação fiscal.
O problema é que,
com tal declaração, governo considera, tão somente, se o nível de arrecadação
será suficiente para pagar as contas públicas, mas não considera reduzir tais
contas. Significa dizer, ignoram aquilo que é o motivo histórico dos
descontentamentos: necessidade de cortes nos elevados gastos públicos.
E quando se fala em
corte de gastos, não é corte de investimento, não é piorar serviços básicos
como saúde e educação, não é eliminar uma secretaria ou um órgão essencial...
Trata-se de cortar gastos com a soberba política e, se não é considerada uma
soberba, trata-se, então, de discutir qual a necessidade, por exemplo, do
volume atualmente destinado como verba de gabinete para parlamentares.
Segundo levantamento
da ONG Transparência Brasil, um senador, por exemplo, custa R$ 33,4
milhões por ano, e um deputado federal custa R$ 6,6 milhões.
Para senadores tem o
subsídio mensal e, além do 13º, tem 14º e 15º, recebidos,
respectivamente, no início e no final de cada sessão legislativa. Têm
também direito a 11 profissionais (seis assessores e cinco secretários
parlamentares); verba Indenizatória de R$ 15 mil (para uso em gastos nos
estados, com aluguel, gasolina, alimentação); auxílio-moradia (R$ 3.800); cota
postal (varia segundo o número de eleitores do estado- Um senador do estado
mais populoso, SP, tem direito a usar até R$ 60 mil/mês.Também têm cota
telefônica (R$ 500 mensais); passagens aéreas (valor mínimo é de R$ 4,3 mil e
máximo de R$ 16 mil); combustível (25 litros por dia); gráfica (R$ 8.500 por
ano)...
Já deputados federais têm subsídio
mensal, 13º, 14º e 15º salários; verba de gabinete de R$ 60 mil;
verba indenizatória (R$ 15 mil, obs: verba pode ser acumulada); auxílio-moradia
(R$ 3 mil); cota postal e telefônica (R$ 4.2687,55 para deputados, e R$
5.513,09 para líderes e vice-líderes da Câmara, presidentes e vice-presidentes
de comissões permanentes da Casa); passagens aéreas (valor mínimo é de R$ 4,3
mil e máximo de R$ 16 mil); gráfica (R$ 6 mil)...
E olha que não estamos falando nem
dos deputados estaduais e vereadores, o que varia em números de representantes
e nos montantes a que têm "direito" de gastar.
Ora, para manter uma estrutura
dessas, é provável mesmo que reduções no volume arrecadado aumente o déficit
público, seja no governo federal, seja nos estaduais ou nos municipais. Mas não
é isso o que tem que vir a tona!
O que tem que emergir dessa declaração
está nas entrelinhas, ou seja, significa que o governo não está disposto a
reduzir gastos. Ao contrário, governo corre e,
aos tropeços, abre as torneiras da verba pública para atender as emendas
parlamentares. Com isso, tenta garantir a desobstrução das pautas que lhe são
de interesse, ameaçadas de travamento pela própria base aliada – Aliás,
diga-se, uma base mui amiga, daquelas que se constrói de forma tão coesa quanto
rejunte feito com cuspe.
Na verdade, quem deveria falar sobre “impossibilidade
de novas desonerações” seria a Presidência da República, e procurar lidar com própria
fragilidade, e de sua base, o que inviabiliza os mencionados cortes de gastos
públicos. Também deveriam dar as caras a Presidência do Senado e da Câmara dos
Deputados, e explicar porque não abrem mão das dezenas de assessores familiares,
desqualificados e fantasmas. Por fim, são os 81 senadores, 513 deputados
federais, alguns milhares de deputados estaduais e vereadores, e mais um zilhão
de supostos assessores e secretários, que precisam saber que o antiético é, por
vezes, pior que o ilícito.
E no final das contas, vejamos a
grande esperteza incutida na declaração do Ministro da Fazenda. Em uma só frase
passa mensagens para apaziguar os ânimos de dois grupos distintos: De um o
lado, para os parlamentares, o recado é: "não se preocupem, suas regalias
não serão cortadas". Do outro, para a população, a grande mágica foi a de
transformar em benefício uma péssima notícia. Em outras palavras, na medida em
que fala, “estamos atentos às reivindicações das ruas", na verdade, quer
dizer, "cobraremos mais e mais impostos, pois não importa se é ético,
importa que é legal".
sábado, 10 de agosto de 2013
Afinal, o que é legítimo ?
Contra
os maus tratos aos animais de brinquedo, ocorre, neste momento, uma
manifestação dentro de casa... Manifestantes protestam também contra o
monopólio dos bichos de pelúcia que ocupam cargos de destaque no quarto
das crianças, e seguem, neste momento, em caminhada até a prateleira
central. Já viraram 3 carrinhos hot wheels, bagunçaram um cubo mágico,
agrediram um playmobil jornalista e saquearam o jogo banco imobiliário.
Manifestantes dizem que existem soldadinhos de plástico infiltrados,
disfarçados de my little pony, e que teriam incitado a quebradeira.
Legítimo é tudo aquilo que dado grupo, identificado por anseios comuns, disser que é legítimo !
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Carros feitos para andar somente na contramão
Montadoras, associações de engenheiros e até sindicatos estão pressionando para liberação, no Brasil, da comercialização de automóveis de passeio movidos a diesel.
A argumentação pode até parecer convincente, afinal seria mais barato e até poderia poluir menos que a gasolina. Então tá, mas a questão não é essa! A questão é de matriz energética, de investimento na contramão da tendência de redução da dependência a não renováveis. Brasil foi pioneiro no programa proálcool, mas a falta de políticas setoriais quase que chafurdou tudo. A produção de alternativas como o biodiesel também não vem recebendo a devida atenção governamental.
Agora, com o argumento de que o Brasil está auto suficiente em petróleo, querem jorrar o barril ? Mesmo que os números de produção nacional de petróleo sejam verdadeiros, precisa lembrar que, assim como a dependência, a auto suficiência é temporária. É preciso considerar que as variáveis são dinâmicas e, independente da descoberta de novos poços, a única tendência imutável é de finitude do recurso. Em quanto tempo, não sabemos. Mas sabemos que é para isso que as nações têm que se preparar!
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Decifra-me e te devorarei, mesmo assim!
Costumamos apelidar o Imposto de Renda de “leão”, e o porquê
disso é mais do que intuitivo. Mas porque apenas o Imposto de Renda haveria de
ter um apelido de um animal voraz, um grande predador? Acho que cada imposto,
tributo ou contribuição compulsória merece um apelido de grande predador. Qual
seria, então, o apelido do INSS, qual seria o do IPTU, do ITR, PIS, COFINS, ITBI/ITCMD, FUNRURAL, CSLL..?
Tá bom, vamos melhorar a situação. No lugar de quebrar a
cabeça com cada imposto, vamos colocar tudo no mesmo saco e chamar aquele saco
de “tributação”. Aí sim... Qual o animal que poderia ser usado para representar
o conjunto de todos os impostos, tributos e contribuições federais, estaduais e
municipais, no Brasil?
Apenas na mitologia existe uma criatura capaz de, intuitivamente,
emprestar o nome aos tributos brasileiros: a Esfinge Grega!
Sim, a tributação é enigmática, é voraz... Lança seus
enigmas e devora a tudo e a todos.
Basta você pensar numa pergunta simples, algo do tipo: “quanto
custaria minha refeição se não existisse imposto?”. Para uma resposta exata,
tantas variáveis haveriam de ser consideradas que, na certa, você seria a
refeição da esfinge.
A diferença entre a esfinge e a tributação é que, no caso da
primeira, o enigma é lançado e quem o desvendar será poupado. Já no caso da
tributação, não. Mesmo a sapiência e a astúcia de Édipo Rei, o mitológico herói
que derrotou a esfinge ao decifrar seu enigma, não seriam páreas a desafiar a esfinge tributária brasileira.
Mas no final, o que importa é que não é preciso decifrar todas as facetas
e artimanhas da nossa esfinge, na hora de exigir melhor eficiência no uso daquilo que ela tira de nós. Devemos mesmo é exigir que ela tenha um melhor
metabolismo, que aproveite bem aquilo que come, que não seja uma obesa mórbida... A metáfora serve para a máquina estatal
brasileira, para as administrações públicas, para as políticas tributárias,
enfim, como é óbvio, para o uso adequado daquilo que é arrecadado.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Deficit público ou desperdício público ?
Bom, como não poderia ser diferente, a revolta é grande !!!
Esse jantar do Henrique Eduardo Alves dado a seu partido, usando verba da câmara que está alocava na rubrica de despesas urgentes, é mais uma afronta! A soberba é tão grande que mesmo depois de usar jatinho da FAB para assistir jogo no Maracanã, o presidente da câmara continua desafiando o povo !
Veja, foram 28 mil gastos num jantar para 80 pessoas, ou seja, R$ 350,00 por pessoa. Meu almoço, promocional, custa 19,90 reais num sistema "all you can eat". Com esse dinheiro eu comeria á vontade por 17 dias, E se não tivessem impostos, provavelmente este meu almoço custaria uns 10 reais, e eu almoçaria então por um mês. Significa que os 28 mil gastos para o evento alimentariam, por um mês, 80 pessoas.Esse jantar do Henrique Eduardo Alves dado a seu partido, usando verba da câmara que está alocava na rubrica de despesas urgentes, é mais uma afronta! A soberba é tão grande que mesmo depois de usar jatinho da FAB para assistir jogo no Maracanã, o presidente da câmara continua desafiando o povo !
Conclusão: literalmente a comida é tirada de nossas bocas para alimentar a farra da realeza ! Tem alguma diferença entre isto e a idade média, onde cavaleiros armados arrancavam tudo que era de valor dos camponeses ?
sexta-feira, 12 de julho de 2013
A pulga e o barulho
Pois bem, como é do conhecimento
geral, no dia 09/07/2013, foi votada a PEC 37/2011 - aquela que previa redução, de
2 para 1, do número de suplentes de Senador, e ainda restringia parentes como
suplentes. Talvez sem imaginar a repercussão da não aprovação desta PEC, o placar de votação registrou 17 votos "não", ou seja, contra a aprovação; uma abstenção; 16 faltas...
A proposta não foi aprovada, pois os 46 votos a favor da PEC não completaram o mínimo necessário para aprovar uma proposta no senado (que seria de 49).
A proposta não foi aprovada, pois os 46 votos a favor da PEC não completaram o mínimo necessário para aprovar uma proposta no senado (que seria de 49).
No dia seguinte, atônitos pelo impacto negativo da não aprovação, e pelos dedos virtuais apontados, os senadores desenterraram uma "Emenda 2 (Substitutivo) a PEC 11/2003", pondo em votação novamente a questão da redução
de suplentes de senador, e restrição a nominação de parentes para tal suplência. E vejam, houve
apenas um voto contrário, uma abstenção!
Quem faltou na votação do dia 09/07 nem se preocupou em correr para parecer "bem na foto", pois os 16 faltosos foram quase os mesmos nos dois dias. Os que haviam votado "não" anteriormente, estes sim é que correram para mudar seus votos na sessão do dia 10/07, e assim, quem sabe, evitar ter o nome estampado nos cartazes carregados pelo povo nas ruas.
Então senti uma coceira na orelha - era mosquito ?
Porque diabos não era uma votação com presença absoluta dos senadores, já que a mídia estava com lentes e microfones voltados ao Senado? Porque os faltosos pareciam não estar nem aí, enquanto que os que haviam votado "não", praticamente se acotovelavam para, rapidamente, registrar seu voto de "sim, sou a favor" ?
Foi então que percebi que aquela coceira não era de mosquito, era de pulga. E de lá de trás da orelha, a pulga me pinicava, e tentava até falar alguma coisa.
Bom, já que nunca fui bom em entender a voz da pulga, resolvi consultar quem entende...- não de pulga, mas de política - Me explicaram e, por fim, compreendi...- Não a política, mas a pulga.
A pulga fazia barulho, mas talvez fosse, dessa vez, uma caso de pulga escandalosa.
O fato é que ser suplente de senador não é ser vice de senador, suplente de senador não é remunerado e, neste ponto, pouco importa se tem 1, 2 ou mais suplentes! O que realmente importaria seria, neste pandemônio eleitoral, que o suplente fosse escolhido pelo voto (usar os mais votados para o senado seria uma boa opção). Na prática, quando votamos em um senador, estamos votando em mais 2 possíveis senadores, uma vez que o titular escolhe seus 2 suplentes. O suplente serve para assumir o cargo em caso de saída do senador para ocupar outro cargo, pedido de licença, renúncia, morte, etc. Significa dizer que, não raramente, alguém que não foi eleito pelo famoso voto direto da belíssima democracia brasileira, assume um mandato inteiro de senador.
Outro ponto, a restrição a nominação de parentes para a suplência, sim, é importante, mas seria completamente desnecessário se a escolha do suplente obedecesse o ranking dos votos apurados numa eleição. Mas, ao menos por enquanto, essa restrição é importante para evitar essa grande "capitania hereditária" que é atualmente o senado brasileiro (Veja: http://wwo.uai.com.br/UAI/html/sessao_3/2008/09/15/em_noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=79586/em_noticia_interna.shtml ).
A pulga poderia se proliferar rapidamente, chegar até as ruas... Por isso correram os políticos aos seus postos, trabalharam dobrado... Grande receio de impactos negativos em ano pré-eleitoral... A população comemorou: passou a "PEC dos suplentes e parentes de senadores". Mas no final das contas, é apenas a voz da pulga que, invariavelmente, é renitente atrás das orelhas que não aguentam a soberba dos nossos políticos.No final, foi apenas um típico caso de pulga atrás da orelha, a mesma que faz muito barulho por nada.
Kemel Kalif
Quem faltou na votação do dia 09/07 nem se preocupou em correr para parecer "bem na foto", pois os 16 faltosos foram quase os mesmos nos dois dias. Os que haviam votado "não" anteriormente, estes sim é que correram para mudar seus votos na sessão do dia 10/07, e assim, quem sabe, evitar ter o nome estampado nos cartazes carregados pelo povo nas ruas.
Então senti uma coceira na orelha - era mosquito ?
Porque diabos não era uma votação com presença absoluta dos senadores, já que a mídia estava com lentes e microfones voltados ao Senado? Porque os faltosos pareciam não estar nem aí, enquanto que os que haviam votado "não", praticamente se acotovelavam para, rapidamente, registrar seu voto de "sim, sou a favor" ?
Foi então que percebi que aquela coceira não era de mosquito, era de pulga. E de lá de trás da orelha, a pulga me pinicava, e tentava até falar alguma coisa.
Bom, já que nunca fui bom em entender a voz da pulga, resolvi consultar quem entende...- não de pulga, mas de política - Me explicaram e, por fim, compreendi...- Não a política, mas a pulga.
A pulga fazia barulho, mas talvez fosse, dessa vez, uma caso de pulga escandalosa.
O fato é que ser suplente de senador não é ser vice de senador, suplente de senador não é remunerado e, neste ponto, pouco importa se tem 1, 2 ou mais suplentes! O que realmente importaria seria, neste pandemônio eleitoral, que o suplente fosse escolhido pelo voto (usar os mais votados para o senado seria uma boa opção). Na prática, quando votamos em um senador, estamos votando em mais 2 possíveis senadores, uma vez que o titular escolhe seus 2 suplentes. O suplente serve para assumir o cargo em caso de saída do senador para ocupar outro cargo, pedido de licença, renúncia, morte, etc. Significa dizer que, não raramente, alguém que não foi eleito pelo famoso voto direto da belíssima democracia brasileira, assume um mandato inteiro de senador.
Outro ponto, a restrição a nominação de parentes para a suplência, sim, é importante, mas seria completamente desnecessário se a escolha do suplente obedecesse o ranking dos votos apurados numa eleição. Mas, ao menos por enquanto, essa restrição é importante para evitar essa grande "capitania hereditária" que é atualmente o senado brasileiro (Veja: http://wwo.uai.com.br/UAI/html/sessao_3/2008/09/15/em_noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=79586/em_noticia_interna.shtml ).
A pulga poderia se proliferar rapidamente, chegar até as ruas... Por isso correram os políticos aos seus postos, trabalharam dobrado... Grande receio de impactos negativos em ano pré-eleitoral... A população comemorou: passou a "PEC dos suplentes e parentes de senadores". Mas no final das contas, é apenas a voz da pulga que, invariavelmente, é renitente atrás das orelhas que não aguentam a soberba dos nossos políticos.No final, foi apenas um típico caso de pulga atrás da orelha, a mesma que faz muito barulho por nada.
Kemel Kalif
sábado, 16 de março de 2013
Charlatanismo histórico
Gosto do History Channel mas esses programas de alienígenas e disco voadores "do passado" são absolutamente patéticos, para não dizer criminosos! Ontem vi os caras querendo "provar" que a peste negra, aquela que dizimou 1/3 da Europa medieval, teve origem num ataque alienígena. Disserem que por volta de 1300 um navio chegou a Europa e os marinheiros estavam todos, "misteriosamente", infectados. Disseram que "relatos da época" falavam em "objetos no céu" espalhando uma "nuvem negra" na Europa, e que daí a peste negra se espalhou. PQP! Simplesmente ignoraram ao menos um século de histórica anterior, quando na Ásia e África já ocorriam infecções da peste negra pelo contato do ser humano com pulgas e carrapatos infectados pela bactéria. Ignoraram também os reais fatores de proliferação da doença. Cem anos depois, por volta de 1300, a bactéria encontrava um hospedeiro de fácil acesso, e amplamente distribuído por toda a Europa: o rato preto! É bom lembrar que o rato era parte aceita da paisagem dos centros urbanos da época, e não a figura nojenta, perigosa e cheia de doenças como significa hoje! A medicina era tomada por crenças religiosas e as técnicas de cura como a sangria, apenas adiantavam a morte. É óbvio que, na medida em que um rato poderia carregar cerca de 6 pulgas infectadas, o contato com os humanos foi desastroso! Tem que lembrar também que era época de grandes navegações e, com esta globalização, também se dava início a época das pandemias, especialmente num mundo pré penicilina. Daí a história todos já sabem, a peste negra, ou peste bubônica, resultou na morte de 1 em cada 3 pessoas da Europa, e isso, de fato, resultou num cenário apocalíptico. Agora vêm esses pseudo estudiosos desse papo no estilo Erich von Daniken estimular a ignorância para ganhar dinheiro em cima dela ! Um bando de charlatões se aproveitando da sociedade atual que, além de ler pouco, lê lixo no pouco que lê. O único fato histórico que há nisso é que charlatanismo e ignorância sempre caminharam de mãos dadas!
quinta-feira, 31 de maio de 2012
sábado, 31 de março de 2012
Como dizem: o futuro que queremos (?)
Notícias da Rio +30 (2022): - Tiririca, Presidente do Brasil, fez a abertura da conferência.
Notícias da Rio + 40 (2032):- Inundação de cidades costeiras começa a convencer os céticos do aquecimento global; - Fundação Rockefeller vende pacote tecnológico para produção de carnes e vegetais in vitro
Notícias da Rio + 50 (2042):- Brasil ameaça queimar suas florestas remanescentes se não receber pagamento para mantê-las; - Sem apoio e vivendo a pior crise da história, EUA lançam a campanha "Estou pobre mas ainda tenho as armas, quer se aliar?"
Notícias da Rio + 60 (2052):-Invasão dos pólos Norte e Sul pela aliança Argentina, China, Reino Unido e EUA, foi o principal tema da conferência; -Doenças degenerativas ocasionadas pelo consumo de carne e vegetais in vitro recebeu pouca atenção.
Notícias da Rio + 70 (2062):- O preço da água potável se compara ao preço que os combustíveis fósseis alcançavam no final do século 20; -Brasil pede ajuda da ONU para proteger suas fontes de água potável; -Pólos Sul e Norte inauguram a era dos embargos climáticos, manipulando ventos e correntes marinhas, direcionando profundas mudanças climáticas a nações "inimigas"; -Ao exigir sua parte no acordo (devolução das Malvinas), a Argentina é expulsa da aliança China, Reino Unido e EUA.
Notícias da Rio + 80 (2072):-Líderes das nações atribuem a redução populacional às suas campanhas de conscientização e planejamento familiar, e rechaçaram dados científicos que apontam para o fenômeno de esterilidade humana; - Mundo comemora a completa abolição do uso de combustíveis fósseis; - Após 10 anos de da Primeira Guerra Climática, Brasil se rende ao poder dos Estados Unidos dos Pólos.
Notícias da Rio + 90 (2082):-Num protesto trágico, hidroativistas despejam sua quota anual de água na frente do centro de convenções. Após 4 dias sem água (data da última transmissão interneouronal), 800 dos 2000 hidroativistas ainda estavam vivos; -Neurohackers detidos, acusados de interromper a transmissão das mortes dos hidroativistas, foram relacionados à coca-cola (principal acionista da maior reserva de água potável mundial).
Notícias da Rio + 1 século (2092):-Mesmo após o fracasso da primeira missão de colonização de Europa, satélite de Júpiter, segunda nave parte com 30 humanos. O Presidente da Eurásia garantiu que computador "Hal 900 II" não iria pirar na maionese, dessa vez !
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Uma "evacuada" sustentável
Sabe, não há problema algum em usar sustentabilidade como marketing. Ao contrário, empresas que adotam medidas efetivas rumo a sustentabilidade podem, e devem, ser recompensadas. Mas o problema é que, percebendo as vantagens competitivas que o título de "sustentável" pode conferir, empresas vêm banalizando a comunicação sobre sustentabilidade, através de informações duvidosas nas embalagens de seus produtos.
Lhes dou um exemplo, um amigo me procurou para me mostrar um recorte que fizera de uma embalagem de papel higiênico.
Lhes dou um exemplo, um amigo me procurou para me mostrar um recorte que fizera de uma embalagem de papel higiênico.
- Somos sustentáveis até para "evacuar"... - brincou, logicamente, usando outro verbo de ação. E me perguntou se aquele carimbo não tinha a ver "com aquela história de fontes de celulose certificadas, sem problemas ambientais e sem mazelas trabalhistas".
Não, não tinha a ver... Era apenas uma impressão criada pela própria empresa, e que imitava um carimbo com os dizeres "compromisso com a sustentabilidade". Mas antes de dar o veredito de propaganda enganosa, e para descartar a possibilidade de que meu amigo houvesse recortado o local errado da embalagem, acessei a página do fabricante.
Após muito revirar, enfim apareceu um pequeno parágrafo. A justificativa do fabricante para estampar aqueles dizeres, dada em redundantes quatro frases, era a compra de um maquinário que permitia embalar um fardo de papel higiênico com 5% menos plástico. - Eis a banalização da palavra sustentabilidade.
O problema não estaria nem no percentual insignificante da redução, mas sim na forma com que a empresa, forçosamente, tenta passar a ideia de um compromisso que, sabemos, envolveria ações dentro das 3 grandes áreas da sustentabilidade: o ambiental, o social e o econômico. O problema é induzir um consumidor sensível a questões socioambientais a crer que aquele é um produto diferenciado, utilizando, para tanto, uma autodeclaração de peso que, na prática, trata-se de um aspecto trivial.
Para reduzir a possibilidade de engôdo, o consumidor pode adotar algumas premissas para julgar se um rótulo de sustentabilidade é, ou não, sério. O primeiro ponto é procurar saber quem conferiu a qualidade de sustentável a dado produto. O "quem", neste caso, espera-se que seja um organismo independente, não ligado a grupos econômicos ou governos, muito menos a própria empresa que recebe o status. O segundo passo é procurar saber em quais princípios está alicerçado o rótulo e se houve, na aferição de tal qualidade, um sistema de verificação realizado por terceira parte. Por fim, é de se esperar que o processo esteja documentado, disponibilizado, e de fácil acesso aos consumidores.
Isto posto, o veredito foi dado: - Até para "evacuar" podemos ser enganados.
domingo, 20 de novembro de 2011
O sujeito indeterminado
Com
a proximidade do período das chuvas, chega também a
época do “sujeito indeterminado”. Exemplos estarão,
mais uma vez, no veredito da mídia e do povo acerca da
responsabilidade pelas enchentes, inundações e
alagamentos:
“Jogaram
lixo...”,
“Entupiram
o esgoto...”
Juntamente
com a aceitação a tal veredito, aceita-se também
que o sistema de esgotos da cidade é suficiente para drenar as
águas, e que ele só entope porque a população
é mal educada. - Não creio serem inteiramente
verdadeiras estas afirmações.
É
bem verdade que qualquer tipo de via de escoamento da água,
quando obstruída, não cumprirá sua função.
É bem verdade também que existe muito lixo espalhado
por aí, podendo ser carreado e obstruir o sistema de
esgotos...Mas será verdade que esta é uma
das principais causas dos alagamentos, todos os anos, em São
Paulo ? Indo além, se realmente o lixo é o responsável,
qual seria a parcela deste que é proveniente de despejo
inapropriado, e qual a parcela que vem da inoperância no
sistema de coleta ?
Apesar
de não existirem respostas conclusivas para estas perguntas, a
mídia e, especialmente, a prefeitura, já têm
pronta a sentença: "Jogam lixo que entope os esgotos".
Mas para que tal afirmação seja legítima, e não
uma forma inteligente de se esquivar do problema, seria preciso,
primeiramente, conhecer o volume total de líquidos e as
dimensões da rede de esgoto, para então determinar se o
sistema é suficiente para garantir a vazão. Isso seria
comparado, então, a dados do quanto que o lixo limita aquela
vazão.
Já a outra questão,
se o sistema de coleta é eficiente, a prefeitura pode até
estimar que, ao cobrir "X%" da cidade com a coleta de lixo,
daria conta de "Y%" do volume total de lixo gerado nos
bairros. Por razões óbvias - como toda informação
que reflete o desempenho de uma gestão municipal - tal
estimativa tenderia a ser aproximar dos 100% da área da
cidade. Restaria, então, o verdadeiro culpado, o sujeito
indeterminado: jogam lixo.
O uso deste sujeito como
causador de todos os males, na verdade, é muito vantajoso para
a prefeitura. O sujeito indeterminado é responsável
pelas praças mal cuidadas, pelos poucos e péssimos
banheiros públicos, pelas filas caóticas nos trens e
metrôs, pelas calçadas destruídas, pelos
engarrafamentos... Afinal, dentro do sujeito indeterminado estão
os mal educados, e já que existe uma generalizada falta de
cidadania, não é difícil convencer a sociedade
de que o lixo dos mal educados é o causador dos esgotos
entupidos, conseqüentemente, dos alagamentos.
“Jogaram
lixo...", "Entupiram o esgoto...”-
Fecha-se o ciclo: não se acusa ninguém, livra-se do
ônus da prova e, de quebra, da responsabilidade. O sujeito
indeterminado é, sem dúvida alguma, o melhor bode
expiatório que existe.
domingo, 13 de novembro de 2011
O dinossauro e os nossos filhos
Dia desses via um canal infantil e um programa mostrava algumas crianças numa máquina do tempo. Elas queriam saber como vivia o homem pré-histórico e, para tanto, viajaram ao passado transformando-se em homens da caverna, cabeludos, balbuciando “munga, munga...”. De repente, um amedrontador tiranossauro, faminto, os perseguiu até conseguirem retornar ao presente – Ufa!
O mundo da fantasia é uma delícia. Tive saudade do tempo em que voltava do colégio e assistia “O Elo Perdido”. Lembrei-me até do quanto que ficava impressionado com aquelas animações rudimentares de dinossauro, e aquelas montagens toscas, além do enredo fantástico e absurdo.
Imerso nesses pensamentos, me deparei com uma questão que logo me arrebatou de volta a realidade: Qual o nível do conhecimento sobre os primórdios do homem, que as crianças atuais têm ? Deve ser bem melhor que o da minha época quando era preciso se deslocar até uma biblioteca para obter respostas.
Formulei, então, uma pergunta que deveria ser feita a crianças de 6 a 12 anos. Perguntaria se elas saberiam responder porque um dinossauro nunca conseguiu comer um ser humano.
Além de tentar enveredar pelo imaginário infantil, a pergunta teria também a motivação de verificar a situação do ensino básico neste mundão de meu Deus... Fiz algumas poucas perguntas, uma aqui outra ali...
O que era para ser uma brincadeira, na verdade foi uma surpresa: os pais, ao tentarem responder no lugar dos filhos, também desconheciam a resposta. Surpreenderam-me explicações do tipo “a carne dos humanos não agradava os dinossauros”.
Apesar da não representatividade estatística da enquete, passei a ficar convencido de que muitos adultos estariam enganados a respeito disso.
A pergunta, na verdade, não passa de uma pegadinha. A resposta é: um dinossauro nunca conseguiu se alimentar de um ser humano, simplesmente, porque dinossauros foram extintos milhões de anos antes do surgimento dos humanos! Na verdade, o próprio florescimento dos mamíferos, incluindo os primatas ancestrais, deu-se após o desaparecimento dos "dinos".
De onde viria então esta informação de que dinossauros teriam vivido juntamente com os humanos primitivos ? A resposta é óbvia: a indústria voltada ao público infantil insiste naquela representação do homem das cavernas, ou fugindo de dinossauros, ou até os mantendo como animalzinho de estimação.
Na medida em que existe um padrão nesta situação, creio, não terá sido mero apelo comercial... Talvez os produtores, roteirista e ilustradores, não saibam responder a mesma simples pergunta da enquete. Afinal, vai saber se, assim como nós, pais, que assistíamos Fred Flinstone e líamos a tiras do Brucutu, ou da Turma do Piteco, também os produtores e roteiristas dos programas atuais não ficaram com aquela informação de que estas duas espécies teriam habitado o mesmo espaço-tempo na história geológica do planeta!?
A coisa não para por aí... Outros mitos, neste caso envolvendo animais da nossa atualidade, também são fixados no imaginário infantil, e parecem se perpetuar na idade adulta. Trata-se de outro padrão observado nos desenhos animados, quadrinhos e programas infantis: o bombardeio de imagens de algumas poucas espécies animais, via de regra, africanas, subliminarmente informando a sua onipresença no globo.
Novamente, nossos pequenos curiosos acabam ficando com a informação de que os animais que habitariam, por exemplo, uma floresta amazônica, seriam leões, chimpanzés, hipopótamos, elefantes e girafas.
Existe até um desenho animado de produção e arte inteiramente nacionais, ambientado numa floresta, onde um dos personagens principais é um chimpanzé. Embora o desenho não mencione em que região do globo estaria aquela floresta, ele mistura, sem qualquer tipo de explicação, ursos e cangurus, hienas e jaguatiricas, girafas e antas. Alguma dúvida de que animais também andam de avião ?
Bom, de maneira alguma defendo uma frieza tecnicista a limitar o mundo da fantasia. Como falei, era maravilhoso aquele absurdo fantástico de “O Elo Perdido”. Mas há que se identificar quando a massificação da fantasia passa a criar mitos e quando prejudica um efetivo entendimento do mundo em que vivemos.
Kemel Kalif
domingo, 6 de novembro de 2011
Boa intenção ou desserviço ?
Destaco fotos que foram publicadas pelo UOL notícias. As fotos são da ciclofaixa de Moema, com inúmeros flagrantes de completo desrespeito, inclusive com registro do protesto da dona do Pajero, parado em cima da ciclofaixa e com placa encoberta por um plástico. (http://noticias.uol.com.br/album/111105moema_album.jhtm?abrefoto=6#fotoNav=12 ). Destaco também a reportagem do Jornal Nacional, onde comerciantes se indignam com uma simples ciclofaixa, e onde a mesma dona do Pajero dá o seu recado (http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional/t/edicoes/v/pesquisa-analisa-a-mobilidade-em-nove-capitais-do-brasil/1686633/ ).
Pois é, estas reportagens revelam alguns pesos a serem levados em conta na questão da mobilidade em São Paulo e, especialmente, no que se refere a dicotomia "lazer versus funcionalidade" no uso de bicicletas. Via de regra, ciclofaixas, ciclorotas ou ciclovias, cada uma com sua especificidade, quando não ligam uma área residencial a uma área comercial, quando não atendem as necessidades de deslocamento que não as localizadas em uma área específica, tendem a ter a conotação de mero lazer. Neste ínterim, o estabelecimento de vias aos ciclistas acaba por prestar um desserviço para o próprio ciclista.
Digo isso porque os condutores de carros e motos, julgando-se os únicos imbuídos de vencer a corrida e o estresse do dia-a-dia, os únicos cuja necessidade de não se atrasar seria legítima, não poderiam ter outra visão sobre a bicicleta: "vá se divertir em outro lugar!" - Eis o desserviço !
Se o ciclista já está errado trafegando na parte que lhe é reservada, imagina quem é obrigado, por falta de opção, a trafegar em meio aos carros !?
Como sendo um ciclista que aboliu completamente o uso do automóvel em deslocamentos casa-trabalho-casa, todos os dias sofro com a idiotice de pessoas que vêem a bicicleta como algo que está, constantemente, no lugar errado. Logicamente, tendo a me revoltar com pessoas como a comerciante das imagens. Porém, antes de atirar esta pedra, acho que devemos considerar um outro ator nesta questão, alguém que nem ao menos vem sendo mencionado nas discussões sobre a ciclofaixa de Moema: a Prefeitura de São Paulo.
A prefeitura quer, assim como qualquer governo, seja municipal, estadual ou federal, seja do partido "A" ou "B", tão somente, atingir bons números em qualquer área que lhe renda alguma vantagem para vender o peixe. Não importa que estes números não sejam, de fato, efetivos. - É como dizer que ampliou as creches e escolas municipais em "X" vagas, quando, na verdade, mais da metade destas vagas não são funcionais por não terem sido contratados os educadores.
No trânsito, é a mesma coisa, e no caso das bicicletas os números podem ser usados ainda para promover diversas secretarias: trânsito, lazer e esportes, urbanismo e planejamento, meio ambiente, etc. Portanto, o que importa é dizer, ao final: "no meu governo, construímos X quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorotas".
Nós, ciclistas, costumamos comemorar cada metro de ciclovia inaugurado em São Paulo, e o fazemos com o otimismo na crença de que seria o começo de um processo lento. Sem dúvida o processo é lento, mas não há mais tempo para processos lentos no caos. Pior ainda é quando, sem planejamento, fiscalização, infraestrutura, se estabelece algo como no caso de Moema: um improviso que tem mais chance de prejudicar alguma mudança na cultura do carro.
Nesta ciclofaixa, assim como a tal da "Ciclorota do Brooklin" (mencionada no post: http://kemelkalif.blogspot.com/2011/07/sou-um-carro-menos-ate-quando.html), o destino, não metafórico, é o esquecimento.
Kemel Amin B. Kalif: Agrônomo que não sabe plantar batata, mestre em zoologia/ecologia que não é biólogo, doutor em desenvolvimento sustentável onde se tornou esquizofrênico de uma vez por todas, pós-doutor em economia ecológica e rabugento de nascença.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
O raro jargão
Já perceberam o quanto que nos deparamos com a palavra “sustentabilidade”, e derivados, no nosso dia-a-dia ?
É um jargão tão reconhecidamente jargão, que até falar que sustentabilidade é um jargão, também é um jargão!
Mas o que não é reconhecido é que, embora o Desenvolvimento Sustentável tenha alcançado o imaginário popular, sua essência permanece incógnita para população e, pior, para os tomadores de decisão. Neste ínterim, há que se considerar diversos agentes causais, destacando-se, obviamente, a grande mídia e, não menos importante, a omissão da academia em traduzir para a sociedade seus complexos artigos científicos. O resultado, vemos todos os dias, uma sustentabilidade banalizada, sinônimo de reciclagem de lixo e, quando muito, de uso um pouco mais racional da água.
Mas falar que sustentabilidade vai além, também é um jargão... Afinal, todos sabem que “ela” é mais que isso...
Existe até aquela clássica representação na forma de um triângulo, onde cada uma das forças – ambiental, social e econômica – está disposta num dos vértices. O desenvolvimento da humanidade deveria, segundo tal representação, ocorrer sem desequilíbrio das forças, mantendo o triângulo, eternamente, eqüilátero.
No mundo dos negócios a sustentabilidade assume a forma de qualidade de produtos, serviços ou processos produtivos, e, como tal, passa a ser adjetivo de auto-condecoração: somos os melhores, somos os maiores, somos sustentáveis.
O que se perdeu neste processo, ou nem ao menos foi um dia compreendido de fato, foi que a condição de sustentável é um horizonte a ser, constantemente, perseguido, e não um status que se atinja adotando essa ou aquela medida dentro do simplista triângulo.
Uma analogia muito bem sucedida acerca do que seria o Desenvolvimento Sustentável, nos é fornecida pela termodinâmica. Tenhamos em mente o exemplo da “máquina de movimento perpétuo”, ou do latim perpetuum mobile, que seria descrito como um motor que nunca para de funcionar, sendo necessária apenas uma quantia inicial de energia que seria reaproveitada, infinitamente, no sistema. Seria, por exemplo, o motor de um carro que funcionaria, eternamente, com uma única quantidade de combustível – De cara, percebesse: impossível de existir tal motor – Mas porque ?
O que motores a combustão fazem é transformar a energia térmica (da explosão do combustível) em energia mecânica (movendo engrenagens), para executar uma tarefa. Na concepção da máquina de movimento perpétuo, a energia inicial aplicada seria reaproveitada no final, convertida novamente em energia térmica, novamente em mecânica e, novamente utilizada. O motor nunca deixaria de funcionar por não haver perda de energia.
A construção de tal máquina é impossível devido uma lei tão certa quanto a da gravidade: a entropia termodinâmica. No caso do motor, a grosso modo, significaria dizer que parte da energia aplicada no seu funcionamento, sempre, invariavelmente, será perdida, e não poderá ser reaproveitada no sistema. O mero atrito entre engrenagens do motor representa uma perda da energia mecânica que acaba por gerar calor que, por sua vez, se perde para a atmosfera. E mesmo que fosse possível construir um sistema que canalizasse o calor gerado pelo atrito de todas as peças, para tentar reaproveitá-lo no sistema, ainda assim, haveria perda de energia.
A perda de energia é a entropia do sistema, e ocorre pois não existem sistemas fechados. Mesmo uma garrafa térmica com um líquido quente, perde calor para atmosfera; mesmo o planeta Terra, o Sol, o Sistema Solar e, em última instância, o Universo, perdem energia... Em termos de energia pode-se dizer, e sem causar pânico ou alarde: caminhamos para o "fim".
Mas voltando a nossa analogia, por isso o motor precisa de constante entrada de energia para manter-se funcionando – Simples assim!
Contudo, apesar de tal impossibilidade, o motor perpétuo serve de horizonte norteador na construção de motores reais. Tal horizonte inspira a tecnologia na busca de maneiras de reduzir a perda de energia, fazendo com que, atualmente, os motores executem o mesmo trabalho que motores de outrora, porém com entrada de energia bem menor.
A invevitabilidade da perda de energia pode ser comparada, diretamente, a impossibilidade de se produzir e consumir alimentos, sem ocasionar perdas insubstituíveis a natureza. Também é da mesma forma que o Desenvolvimento Sustentável é um horizonte norteador: atualmente se produz mais alimento em menor espaço, com possibilidades reais de reduzir efeitos deletérios ao meio ambiente e ao homem.
Desta forma, algo pode ser mais ou menos sustentável, estar mais ou menos distante daquele “horizonte perpétuo”, mas não pode ser, na essência, sustentável, pois aquele horizonte é, em princípio, impossível de existir.
Em suma, o que o Desenvolvimento Sustentável propõe é que as atuais gerações de humanos não comprometam a existência das gerações futuras que, por sua vez, não devem comprometer as gerações vindouras, e assim por diante. Não comprometer gerações futuras, ad infinitum, é como construir uma máquina de movimento perpétuo, portanto, impossível. No entanto, deixar o máximo de recursos para as gerações futuras que, por sua vez, deixem o máximo que puderem para as gerações seguintes...sim, essa é a verdadeira perpetuação da espécie humana. O que temos nas mãos é a possibilidade de, tão somente, atrasar o fim.
– E porque, então, atrasar o “fim”, se ele é inevitável?
Para responder, vamos lembrar das ideias de Thomas Robert Malthus, que dizia que logo chegaria o ponto onde não se produziria alimentos para suportar a população do planeta. Ele estaria certo numa situação onde não houvessem inovações tecnológicas. Em outras palavras, Malthus lançou suas ideias baseado na realidade e nos preceitos de sua época – uma Inglaterra feudal onde o aumento da produção de alimentos só ocorreria com o aumento do tamanho da área plantada. Seu erro foi não considerar a possibilidade de que novas descobertas virassem a mesa do jogo, como de fato viraram. Por exemplo, a simples técnica da rotação de culturas veio logo em seguida, e aumentou consideravelmente a produção de alimentos sem aumentar o tamanho da área plantada, o que, aliás, foi uma das causas para o fim do sistema feudalista.
Pois bem, a resposta é essa, devemos ganhar tempo para que o futuro nos responda como perpetuar a espécie humana. Afinal, mesmo este texto simplório está escrito dentro dos paradigmas e do conhecimento atuais, portanto, sujeito ao erro.
O fato é que vivemos na era do capitalismo, onde a busca pela sustentabilidade representa, nada além do que o aumento dos custos operacionais. Embora a maximização de lucros, cortando custos operacionais, seja o lugar comum no mundo atual, e embora nem ao menos haja sinal de que isto acabará no curto o médio prazo, não podemos crer que o capitalismo veio para ficar.
Devemos, sim, ganhar tempo... Não deixemos que a banalização da sustentabilidade nos leve a uma descrença suicida.
sábado, 29 de outubro de 2011
O cinza que queria ser verde
Tenho impressão que a Prefeitura de São Paulo quer lutar contra o estigma da cidade de concreto, e de horizonte acinzentado.
Para cortar ou podar uma árvore em São Paulo é preciso autorização da subprefeitura responsável pela região. Não estou falando de propriedades rurais, estou falando do ambiente urbano mesmo.
Do ponto de vista da qualidade de vida, são inquestionáveis os benefícios da manutenção de árvores no ambiente urbano. Do ponto de vista da segurança, faz sentido, já que o corte requer medidas de segurança que, certamente, não serão adotadas pelo “Seu Fulano”, o jardineiro do vizinho. Agora, do ponto de vista prático... – Iiiih !
Conseguir uma autorização dessas é difícil, mas não porque a importância da árvore é tamanha que a justificativa para seu corte ou poda deva ser boa. Simplesmente porque as subprefeituras não respondem, o que expõe a morosidade e o formalismo burocrático dos órgãos públicos. - É o velho papo: criamos legislações avançadas, mas que não funcionam devido a inoperância estatal.
Isso é tragicômico para quem trabalha, há mais de 20 anos, com questões ambientais, como eu... Sabemos que São Paulo é o principal mercado consumidor das commodities da Amazônia e, conseqüentemente, é a principal força matriz do desmatamento que ocorre por lá.
Por exemplo, o maior consumidor da madeira nativa e da carne bovina produzida na Amazônia é São Paulo. Produzir madeira, não necessariamente significa desmatar, mas a principal causa do desmatamento na Amazônia é a derrubada da floresta para formação de pastagens, para a produção de carne, e grande parte da madeira da Amazônia que SP consome é proveniente de áreas que foram derrubadas ilegalmente para formação de pastagens. - Sacou ?
Mas o que importa é a cidade manter um número x de árvores, e as prefeituras e secretarias de meio ambiente venderem o peixe da lição de casa feita: “No meu governo aumentou em x% a área verde da cidade...”. Assim, o paulistano que, literalmente, come vários hectares de floresta por ano, pode se sentir “ecologicamente correto” ao saber que é preciso de autorização para se livrar daquela maldita árvore que está quebrando sua calçada.
Pois é, não há limites para a hipocrisia...
Pois é, não há limites para a hipocrisia...
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